Resumo Executivo: As emissões brutas de gases de efeito estufa (GEE) do setor agropecuário brasileiro registraram estabilidade pelo segundo ano consecutivo, somando 626,3 milhões de toneladas de CO₂ equivalente (MtCO₂e), com variação praticamente nula de -0,07%, segundo o mais recente balanço climático elaborado pelo Imaflora e divulgado pela Feed\&Food. O resultado reflete a queda de 1,68% nas emissões da pecuária — puxada pelo recuo de 1,8% na fermentação entérica dos bovinos e pelo abate recorde de 42,94 milhões de cabeças com maior ganho zootécnico —, que compensou o avanço de 6,45% nas emissões agrícolas decorrentes da colheita histórica de 345,4 milhões de toneladas de grãos em 101,3 milhões de hectares.
Desacoplamento entre Produção e Pegada de Carbono
O levantamento do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG/Imaflora) comprova cientificamente o início do desacoplamento entre volume produzido e intensidade de emissões no campo brasileiro. A menor variação anual de emissões desde 1970 demonstra que os investimentos dos pecuaristas em nutrição de precisão, melhoramento genético e suplementação com aditivos redutores de metano estão gerando impacto em escala nacional.
Ao abater animais mais jovens e precoces (reduzindo a idade média de abate de 36 para menos de 24 meses), o rebanho bovino total recuou 1,7% (para 234,2 milhões de cabeças), enquanto a produção total de carcaças aumentou 7,2%, atingindo 11,1 milhões de toneladas. No setor de leite, mesmo com contração de 2,7% no rebanho de vacas ordenhadas, a produção nacional saltou para o recorde de 36,7 bilhões de litros, evidenciando ganho de produtividade por animal sem elevação da carga poluidora.
Solos Manejados e Expansão da Agricultura de Baixo Carbono
Na vertente agrícola, o acréscimo de emissões esteve concentrado no subsetor de solos manejados (188,6 MtCO₂e), decorrente do uso de fertilizantes químicos nitrogenados e calcário para sustentar o avanço de 18,2% na safra de cereais e oleaginosas. Em contrapartida, a eliminação da queima de resíduos de cana-de-açúcar gerou queda de 30,3% nas emissões dessa atividade (para 0,3 MtCO₂e).
Especialistas do Imaflora apontam as ferramentas centrais para acelerar a mitigação:
- Expansão de Bioinsumos: Inoculantes biológicos e bactérias fixadoras de nitrogênio substituem adubos sintéticos importados e cortam emissões de óxido nitroso (N2O).
- Recuperação de Pastagens Degradadas: O plantio direto e a consorciação de gramíneas com leguminosas forrageiras transformam o solo em um gigantesco sumidouro de carbono.
- Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF): O sombreamento de eucalipto melhora o conforto térmico do gado, acelerando o ganho de peso e neutralizando emissões entéricas na mesma área.
Posicionamento Internacional do Agro Brasileiro
Os dados do Imaflora reforçam os argumentos da diplomacia agrícola brasileira nas conferências climáticas internacionais. O agronegócio tropical prova sua vocação para alimentar o planeta com segurança alimentar sem expandir sua pegada de carbono, consolidando a sustentabilidade como a maior vantagem competitiva do Brasil nos mercados globais.
Fonte: s de Referência Informativa:** Feed\&Food (Agropecuária Mantém Estabilidade nas Emissões pelo Segundo Ano Consecutivo) | Feed\&Food Especiais / Imaflora / SEEG