O Brasil está prestes a superar os Estados Unidos e assumir o posto de maior exportador agrícola do planeta ainda em 2026, de acordo com análise do Financial Times repercutida pelo portal Migalhas. A projeção ocorre em um cenário de forte expansão do crédito rural, atualização do marco legal do seguro agrícola e implementação iminente de rigorosas exigências ambientais pelo mercado europeu.
Em 2025, os embarques do agronegócio brasileiro somaram o recorde histórico de US$ 169,2 bilhões, correspondendo a 48,5% de todas as exportações brasileiras, com a China na liderança entre os destinos. Para o novo ciclo, a Conab projeta mais de 366 milhões de toneladas de grãos.
Desafios Jurídicos, Seguro Rural e Novas Garantias
De acordo com Cristiane Secco, sócia-gestora do Albuquerque Melo Advogados em análise ao portal Migalhas, o avanço do agro exige modernização e rigor na arquitetura jurídica dos contratos:
- Plano Safra e Seguro Rural: O Plano Safra 2026/27 destinou R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, enquanto a Lei 15.526/26 atualizou o marco legal do seguro rural e as garantias de crédito. A especialista alerta que instrumentos como CPR, alienação fiduciária e penhor rural precisam estar perfeitamente coordenados para evitar litígios e dificuldades de execução.
- Riscos Contratuais no Comércio Internacional: Aspectos operacionais como janelas de embarque nos portos, tolerância de qualidade, causas de força maior e cláusulas de lei aplicável exigem redação técnica cuidadosa para proteger os exportadores em momentos de falha climática ou logística.
Regulamento Europeu (EUDR) e Rastreabilidade Socioambiental
Outro marco decisivo é a entrada em vigor do EUDR (Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento), com aplicação a partir de 30 de dezembro de 2026 para médios e grandes operadores. A regra exige comprovação de origem, documentação georreferenciada e rastreabilidade total da cadeia de fornecimento das commodities brasileiras.
Fonte: Portal Migalhas e Financial Times