As condições climáticas adversas na reta final da colheita do trigo no Centro-Sul brasileiro continuam dificultando os trabalhos de campo e comprometendo a qualidade tecnológica dos grãos colhidos, gerando escassez pontual de lotes de trigo pão (tipo 1), segundo boletim semanal de conjuntura do Cepea divulgado pelo portal Notícias Agrícolas. A restrição de oferta e a reação recente do dólar mantêm os preços sustentados no mercado interno.
Nesse cenário, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) manteve a projeção de importações brasileiras de trigo em expressivas 7,06 milhões de toneladas em 2026 — uma elevação de 15,1% sobre o volume internalizado em 2025 —, motivada por cortes nas estimativas de produção comercializável nos estados de São Paulo e Goiás.
Qualidade Tecnológica, Força de Glúten e Compras na Argentina
- Descarte de Lotes em São Paulo: Em solo paulista, onde o trigo colhido sob umidade excessiva não atingiu o peso hectolítrico (PH) e o número de queda (Falling Number) exigidos pela indústria de panificação, parte expressiva da safra foi desviada para alimentação animal.
- Necessidade de Trigo Forrageiro e Panificável: Moinhos do Sul e Sudeste intensificam a aquisição de trigo da safra nova da Argentina (estimada em 22 milhões de toneladas) para compor a mescla necessária de farinhas de alta força de glúten (W > 250).
- Descolamento do Cenário Internacional: Enquanto os contratos futuros de trigo recuam em Chicago diante da colheita norte-americana, os prêmios nos portos e as cotações no mercado spot brasileiro permanecem valorizados pela necessidade de reposição da indústria moageira.
Fonte: s de referência:** Notícias Agrícolas / Cepea e Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)