Resumo Executivo: A consolidação da indústria de etanol de milho no Centro-Oeste brasileiro está provocando uma revolução silenciosa no suprimento de matérias-primas para rações animais. Conforme dados operacionais divulgados pela Feed\&Food, empresas do setor como a FS Bioenergia alcançaram a produção anual de cerca de 2 milhões de toneladas de coprodutos de alto valor nutricional (DDG e DDGS) a partir do processamento de 6 milhões de toneladas de milho em grão, integrando de forma sustentável a produção de combustível renovável e a alimentação de rebanhos bovinos, suínos e avícolas.
Bioenergia e Alimento: A Sinergia do Milho Tropical
No processo industrial de fermentação e destilação do etanol a partir do grão de milho, apenas a fração de amido é convertida em biocombustível. Os demais nutrientes vitais contidos no cereal — notadamente as proteínas, fibras solúveis, lipídios e minerais — permanecem intactos e sofrem concentração triplicada, dando origem aos grãos secos de destilaria com solúveis (DDGS).
Com teores proteicos que variam entre 28% e 35% e alto teor de energia digestível, o DDGS tornou-se um dos substitutos mais eficientes e econômicos para o farelo de soja e farelos de trigo nas dietas de confinamentos bovinos de corte e bacias leiteiras. A presença desse ingrediente produzido localmente no Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul eliminou a necessidade de transportar farelos proteicos de longas distâncias, diminuindo a pegada de carbono e barateando o custo da tonelada de ração formulada.
Benefícios Zootécnicos e Expansão Monogástrica
Inicialmente utilizado de forma quase exclusiva por ruminantes, o DDGS expandiu rapidamente sua presença nas cadeias de aves e suínos:
- Ruminantes (Corte e Leite): A proteína não degradável no rúmen (PNDR) do DDGS é altamente aproveitada no intestino delgado, promovendo rápido ganho de carcaça em novilhos confinados e aumento na produção de leite sem acidose ruminal.
- Aves e Suínos: Com a instalação de tecnologias modernas de desoleamento (extração de óleo de milho refinado) nas biorrefinarias, o DDGS de alta proteína e menor teor de gordura passou a ser incluído com segurança nas rações de frangos de corte e suínos em terminação.
- Logística e Exportação: Além de suprir a demanda interna do Centro-Oeste e Sudeste, o produto granular começou a ser embarcado em contêineres e granéis pelos portos do Arco Norte com destino a países asiáticos, diversificando as receitas das usinas.
Sustentabilidade e Economia Circular
A integração entre milho, bioetanol e nutrição animal encarna o conceito perfeito de bioeconomia circular. As usinas operam com cogeração de vapor e energia elétrica a partir de biomassa florestal plantada (eucalipto), transformando o milho da segunda safra em energia limpa para automóveis e nutrição concentrada para garantir a soberania alimentar do país e do mundo.
Fonte: s de Referência Informativa:** Feed\&Food (Etanol de Milho Amplia Oferta de Ingredientes para Nutrição Animal) | Feed\&Food Bioenergia e Grãos