Cemaden e Inmet Apontam El Niño Mais Forte desde 1950 com Anomalia de 3,56°C e Impacto da Cevada no PR à Castanha na Amazônia

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Por Redação Portal Agro Jovem · Edição: Ricardo Rodrigues Filho ·

Cemaden e Inmet Apontam El Niño Mais Forte desde 1950 com Anomalia de 3,56°C e Impacto da Cevada no PR à Castanha na Amazônia

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Aquecimento Recorde no Pacífico Sul-Americano Supera Série Histórica Iniciada em 1950

O fenômeno climático El Niño de 2026/27 atingiu um patamar inédito de aquecimento oceânico na série histórica moderna, exigindo atenção redobrada no planejamento agrícola brasileiro. De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e com a análise técnica do doutor em meteorologia e coordenador substituto de operação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Giovanni Dolif, detalhada na edição de 06 de novembro de 2026 do Record News Rural (06/11/2026), a temperatura da superfície do mar na faixa do Oceano Pacífico próxima à costa da América do Sul registrou em outubro uma anomalia positiva média de +3,56°C — chegando a valores próximos de +5°C acima da média nas áreas imediatamente adjacentes ao litoral sul-americano. Já na região central do Pacífico Equatorial, principal referência para o regime de chuvas no Brasil, o desvio térmico positivo superou a marca de +2,5°C.

Na avaliação de Giovanni Dolif (Record News Rural), a comparação com os quase 80 anos de medições iniciadas em 1950 confirma a excepcionalidade do evento sob duas métricas internacionais:

  • Índice ONI (Oceanic Niño Index — anomalia absoluta): Considerando a temperatura absoluta das águas superficiais do Pacífico Equatorial Central em relação à climatologia de 30 anos, o trimestre agosto-setembro-outubro de 2026 já é o mais quente de toda a série histórica desde 1950, superando todos os grandes episódios anteriores.
  • Índice RONI (Relative Oceanic Niño Index — anomalia relativa): Mesmo descontando o aquecimento global médio de todos os oceanos do planeta, o trimestre agosto-setembro-outubro de 2026 já ocupa o 2º lugar histórico, atrás apenas do lendário El Niño de 1997. Contudo, as projeções dos modelos numéricos indicam que, no trimestre outubro-novembro-dezembro de 2026, o atual evento deve ultrapassar também a marca relativa de 1997, consolidando-se como o El Niño mais intenso já monitorado tanto em termos absolutos quanto relativos.

Excesso de Chuvas no Sul e Sudeste Frustra Safra Recorde de Cevada no Paraná

O mecanismo atmosférico disparado pelo aquecimento do Pacífico funciona como uma engrenagem de teleconexão sobre a América do Sul: a massa de água superaquecida transfere calor e umidade para a atmosfera, intensificando os jatos de vento entre 5 e 10 quilômetros de altitude que cruzam o continente em direção às regiões Sul e parte do Sudeste (Record News Rural). Como consequência direta, o estado de São Paulo registrou o mês de setembro mais chuvoso de sua história em diversas localidades monitoradas pelo Inmet, enquanto em outubro o foco das precipitações extremas concentrou-se no Paraná, que apresentou a maior anomalia positiva de chuva do país — fenômeno simbolizado pela vazão extraordinária das Cataratas do Iguaçu no dia 26 de outubro, quando as passarelas turísticas precisaram ser temporariamente interditadas.

Nos campos paranaenses, o excesso de umidade nos meses finais do ciclo de inverno atingiu diretamente as lavouras de cereais de estação fria (Record News Rural). Na cultura da cevada, embora os produtores do Paraná tivessem ampliado a área plantada com expectativa inicial de colher uma safra recorde, as chuvas persistentes na fase de maturação e colheita frustraram o potencial produtivo e comprometeram a qualidade industrial dos grãos destinados às maltarias, efeito semelhante ao observado nas áreas de trigo da região Sul.

Subsidência Atmosférica na Amazônia Ameaça Safra e Logística da Castanha-da-Amazônia

Na extremidade oposta da circulação atmosférica, o ar quente que ascende com força sobre o Pacífico Equatorial desloca-se em altitude e sofre subsidência (movimento descendente e compressão) exatamente sobre o Norte e o Nordeste do Brasil (Record News Rural). Ao descer, esse ar aquece, inibe a formação de nuvens carregadas e reduz drasticamente os volumes de chuva na Amazônia e no semiárido, elevando as temperaturas máximas para a casa dos 40°C e acelerando a vazante dos rios amazônicos.

Segundo o alerta do Cemaden (Record News Rural), esse padrão impõe duplo risco à cadeia extrativista e agroflorestal da castanha-da-amazônia, sobretudo na transição para o primeiro semestre de 2027 (segundo ano de atuação do El Niño): além do estresse hídrico e térmico que reduz a floração e o enchimento dos ouriços nas castanheiras nativas, a queda severa no nível dos rios dificulta o transporte fluvial das comunidades extrativistas até os entrepostos de beneficiamento e exportação.

Quadro Resumo: Indicadores do El Niño 2026/27 e Impactos nas Cadeias Produtivas

| Indicador / Região Monitorada | Dado Oficial / Métrica Registrada | Impacto Agrícola e Hidrológico | Fonte Oficial |

| :---- | :---- | :---- | :---- |

| Pacífico Sul-Americano (Outubro/2026) | Anomalia média de +3,56°C (picos de até +5°C na costa) | Aceleração dos jatos de vento a 5–10 km de altitude rumo ao Sul/Sudeste | Inmet / Record News Rural |

| Pacífico Equatorial Central (ONI / RONI) | Anomalia > +2,5°C; 1º lugar absoluto desde 1950 (ONI) e projeção de 1º lugar relativo (RONI) em OND | El Niño mais intenso em quase 80 anos de série histórica | Cemaden / Record News Rural |

| Região Sul e São Paulo (Cevada e Trigo) | Setembro recorde de chuva em SP e pico de anomalia no PR em outubro | Frustração da safra recorde de cevada no Paraná e perdas na colheita de inverno | Record News Rural |

| Amazônia e Nordeste (Castanha e Bacias) | Subsidência do ar seco, calor de até 40°C e baixa dos rios | Ameaça à produtividade e ao escoamento fluvial da castanha-da-amazônia em 2027 | Cemaden / Record News Rural |

Força-Tarefa de Cinco Órgãos Federais e Monitoramento 24 Horas

Para subsidiar produtores rurais, cooperativas e defesas civis no manejo de risco até abril e maio de 2027 — quando termina a estação chuvosa na maior parte do Brasil —, o Governo Federal estruturou um painel mensal integrado reunindo cinco instituições de referência: Cemaden, Inmet, Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) (Record News Rural). Paralelamente, a sala de situação do Cemaden opera 24 horas por dia, sete dias por semana, com cerca de 50 especialistas acompanhando em tempo real radares meteorológicos, pluviômetros e sensores hidrológicos em todo o território nacional.

Fontes Verificadas:

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